Sunday, July 17, 2005

BRASIL, MOMENTO DE INCERTEZAS

Estamos passando por um momento de incertezas no Brasil. Diante do cenário político que se instalou ultimamente,não é de se espantar que os brasileiros tenham dúvidas com relação ao futuro deste país.Se analisarmos as denúncias, os flagrantes de corrupção, que viraram epdemia nos últimos meses, ficará difícil acreditar que se possa colocar as coisas em ordem.
O povo, que na última eleição, optou por um governo mais próximo das camadas populares,com a esperança de dias melhores, já não tem mais a certeza de que isso ocorrerá.Será difícil surgir um outro personagem que conquiste a confiança popular, depois de tantos escândalos denunciados e que estão sob investigação.
Vale ressaltar que é preciso aguardar o desfecho de várias dessas denúncias, pois não se sabe o seu grau de veracidade. Caso sejam comprovadas, corre-se o risco de termos na próxima eleição o maior índice de abstenção da história. Por isso é preciso que os nossos políticos adotem uma nova postura quanto à representatividade popular.

Sunday, July 03, 2005

ALIENÍGENAS

Alienígenas rondando nossas casas, são mutações de uma vida inapropriada. Batem com uma mão e pedem a outra a dignidade que jamais alcançaram. Andam sem destino, não sabem de onde vieram e tampouco quem são. Os corações petrificaram seus corpos, eliminando qualquer tipo de emoção. Eles são muitos, vêm de todos os lados, enchem ruas, casas abandonados e apart-viadutos; já comercializam segundo os costumes de onde vieram. Não os vemos, suas peles possuem pigmentos insensíveis à nossa visão; apenas apresentam para a gente, suas formas fantasmagóricas. Ameaçam dominar o nosso mundo e há indícios de que ocorrerá,pois, na medida que aumentam, na mesma proporção, a nossa espécie se reduz.
Jotta F.

Sunday, May 29, 2005

O FORRÓ

Todo sábado, àquela hora, de banho tomado, já estávamos prontos para sair. Porém, naquele 13 de março, algo dizia que o forró iria melar. Chovia insistentemente e para piorar, um canto de caboré, vindo lá da matinha, anunciava que a noite seria toda de chuva.
Fiquei estático em frente á janela da sala, olhando os pingos da chuva caindo sobre a bananeira. Eles deslizavam sobre as folhas, numa sincronia jamais vista. Aquele espetáculo afastava momentaneamente a ansiedade que sentia. A chuva caia e ainda mais forte, contribuindo ainda mais para o espetáculo na bananeira.
De repente, como um apito no fundo do ouvido, veio novamente o canto daquele pássaro. Minha atenção voltou-se rapidamente para o agoureiro. Tive vontade de pegar a espingarda e por um fim naquele timboseiro. Mas contive-me quando Chiquinho, cheio de entusiasmo, disse que começava a clarear lá para os lados da toca do morcego.
A toca do morcego é um lugar meio sinistro. São duas pedras afastadas uma da outra, uns três metros em baixo e se encontram na parte de cima, formando de tal maneira uma pequena caverna. E o mais curioso é que tem uma nascente em seu interior. Meu primo Maciel, disse que viu, certa vez, um bicho muito esquisito lá na toca. Segundo ele, era uma mistura de cobra com lagartixa e preá. Depois que contou essa historia, ninguém queria entrar mais naquele lugar.
A chuva continuava, enquanto Vadico, meu irmão mais velho, dava os últimos retoques no cabelo. Ele era uma figura impressionante. Arrumava cuidadosamente fio a fio o cabelo e só parava quando estivesse perfeito. Namorava Suzana, uma morena de lábios vermelhos, que sorria o tempo todo. Isso deixava o mano velho amarradíssimo naquela neguinha.
Eles namoravam a mais de dois anos, tempo que segundo minha avó Zizinha, era mais que suficiente para que se casassem. Entretanto, ele nem pensava nessa hipótese. Era só mencionar a palavra casamento, que o malandro vinha com mil desculpas.
Já o Chiquinho, com sua enorme timidez, enfrentava muitas dificuldades para relacionar-se com as garotas. Certa vez, nossa prima Márcia, que morava em Belo Horizonte, foi passar férias em Pirinópolis. A moça, com seus gracejos de cidade grande, deixou o maninho numa situação que dava dó. Ela falava-lhe coisas tão bonitas e o mané, experiente apenas em correr atrás de mula, dizia uma asneira atrás da outra. Se eu e Vadico não estivéssemos por perto, o tatu teria se estrepado ainda mais.
Vovó Zizinha vivia dizendo: esse menino não puxou o pai. Geraldino quando tinha a idade dele, já arrastava muitas moças para o rela-bucho. Era tão para frente, que o povo lá da Boa Vista apelidou-lhe de bico-de-chuteira. Vivia se metendo em confusão. Uma vez, se não fosse Simão, seu pai, os valentões lá do São Francisco teriam quebrado em pedacinhos o mulherengo. Tudo porque encontraram Geraldino enrabichado com a irmã de um deles, numa noite de forró. Correram tanto atrás dele, que, se não fosse a interferência de Simão com sua relepa, eles teriam amassado os caroços do meu filhote. Quando viram Simão com o ferro empunhado, foi uma freada só de valentões. Uns cairam no rio, outros subiram o morro do catuá que nem bala e o mais azarado, ficou agarrado pela calça na cerca de arame, todo mijado de medo. Depois dessa, nunca mais buliram com o menino.
Por outro lado, meu pai negava todas as histórias relativas às peraltisses de sua mocidade. Ele dizia que se acendesse uma vela e saíssem por ai, não achariam nenhum rastro dele. Eu sempre tive certas dúvidas, mas acabava acreditando no que ele dizia.
Passado algum tempo, a chuva, caindo mais fraca, deixava-nos mais esperançosos. Para o lado da serra do macaco já se via uns pedaços de céu aberto. Também lá para as bandas da Sargeira o tempo estava melhor. Somente, acima do morro do papagaio, havia umas nuvens escuras. Sentia naquele instante que iríamos balançar o esqueleto.
Sentado no banco da cozinha, eu observava Vadico na sala, ensaiando alguns passos. Podia ver também, Chiquinho censurando os erros e aplaudindo os passos corretos. Fiquei ali observando e lembrando do que minha mãe dizia: "esses dois se entendem muito bem. Nunca brigam e estão sempre juntos. Faz gosto ter dois filhos assim".
Distraído, olhando o ensaio de Vadico, tomei um susto quando Chiquinho gritou: pessoal! a chuva parou! vamos picar a mula. Corri lá fora e pude ver que maninho estava certo. A chuva realmente tinha parado e além disso, o céu estava quase todo azul. Vadico a essa hora já se despedia de minha mãe: __ Benção mãe! __ Deus te abençõe meu filho! cuide de seus irmãos, viu! cuidado com a bebida. Despedi também de minha mãe e saimos com a certeza de que depois daquele contratempo, aquela seria a melhor noite de forró de nossas vidas.


Jotta F.

Thursday, March 17, 2005

Futuros amantes Chico Buarque/1993
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Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Wednesday, March 09, 2005

Breve

A chuva cai formando um poço
ouço sinais de um som intenso
penso, meu coração descompassou
passou, porém, ligeiro a sensação.

Volto imediatamente à rotina
atino para as coisas que me rodeiam
odeio umas e às outras sou alheio
creio que será para sempre a decisão.


Jotta F.

Tuesday, February 22, 2005

Observe a letra desta música do Arnaldo Antunes.
Ela é muito interessante. Confira para ver se
concorda.

Arnaldo Antunes

Se No Meio Do Que Você Tá Fazendo Você Pára

Composição: Nando Reis / Arnaldo Antunes

se no meio do que você tá fazendo você pára
e você tem problema de saúde e de repente você sara
se você ia dar um passo e a sua perna fica pendurada
parece que tá todo mundo ouvindo e ninguém tá falando nada

e agora não precisa correr
agora não precisa mais se apressar

o cara que se joga da janela fica parado no ar
na hora da trombada o carro freia um pouco antes de amassar
quem estava para dar um soco vai ficar com a mão fechada
parece que tá todo mundo vendo e não tá acontecendo nada

e a grana que você economizou não vai poder gastar
e a saúde que você cuidou não vai poder estragar
aquela roupa que você comprou não vai poder usar
você não vai dormir nem acordar agora agora

e agora não precisa correr
agora não precisa mais se apressar

faz horas que já passa das 3 e ainda não são 4 horas
há dias que foi dia 31 e não acaba esse mês
os anos se passaram mas seu filho continua nenén
o seu avô parece ter 70 mas já tem mais de 100

e passa a vida inteira
passa a vida inteira
a vida inteira passa
a vida inteira

se no meio do que você tá fazendo você pára
o que você nunca tinha reparado agora está na cara
o céu fica rachado ao meio quando o raio raia
a chuva não alcança o mar enquanto a onda não alcança a praia

e a grana que você economizou não vai poder gastar
e a saúde que você cuidou não vai poder estragar
aquela roupa que você comprou não vai poder usar
não vai dormir nem acordar agora e agora

e agora não precisa correr
agora não precisa mais se apressar

faz horas que já passa das 10 e ainda são 9 horas
faz anos que você está na fila e não chegou sua vez
o dia já acabou há muitos dias mas a noite não vem
seu coração não bate há muito tempo mas você está bem

e passa a vida inteira
passa a vida inteiraa
vida inteira passaa
vida inteira

e agora não precisa correr
agora não precisa mais se apressar

Wednesday, October 27, 2004

Osmose do Conhecimento

O conhecimento passa de um meio mais concentrado para outro de menor concentração.


Jotta F.